Instituto Pensar - Neurocientista brasileiro contesta a concorrência entre cérebro e máquinas

Neurocientista brasileiro contesta a concorrência entre cérebro e máquinas

por: Eduardo Pinheiro

Em novo livro, o neurocientista Miguel Nicolelis apresenta a teoria do cérebro humano como centro do universo

Foto: Arquivo pessoal

O cérebro orgânico possui modos de se conectar e processar informações de forma mais eficiente e versátil do que o que projetamos em máquinas, defende Miguel Nicolelis em novo livro intitulado "O verdadeiro criador de tudo”. Reportagem da Folha de S. Paulo, publicada no sábado (22), introduz os estudos debatidos na obra.

Publicada no dia 10 de agosto, em sua obra o neurocientista paulista discorre sobre a tese e os perigos para a humanidade de não reconhecer a importância do papel do cérebro. Segundo Nicolelis, é impossível separar totalmente o que acreditamos saber sobre a estrutura do Universo da estrutura neuronal que nos permite raciocinar e imaginar. Ou seja, o sistema nervoso humano "cria” a realidade à nossa volta, argumenta.

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Nicolelis já foi considerado pela revista Scientific American um dos 20 cientistas mais influentes do planeta, além de ser o pioneiro na criação de interfaces que unem o cérebro a máquinas.

De acordo com a tese, a cooperação entre indivíduos cria um tipo de conexão cerebral apelidada pelo cientista de "Brainet”, a internet dos cérebros. A partir dela, a atividade cerebral de indivíduos diferentes engajados na mesma tarefa acaba ficando sincronizada, podendo até ser usada para controlar avatares virtuais ou aparatos robóticos.

Com isso, Nicolelis afirma ser uma evidência de que o cérebro é, mais do que um decodificador, um sofisticado simulador de realidade virtual.

Homem vs Máquina

Entre os grandes temas debatidos no livro, o mais polêmico é a rejeição a ideia de que estaríamos à beira de uma revolução da inteligência artificial. Segundo o neurocientista, o cérebro humano é mais versátil e eficiente do que o que projetamos em PCs e celulares.

Nicolelis observa que as empresas mais interessantes em lucrar com o marketing da inteligência artificial nasceram em lugares em que emergiu a visão, equivocada, do cérebro como computador de carne.

No entanto, os algorítimos que essas empresas desenvolveram, embutidos em sistemas como redes sociais, correm o risco de empobrecer o desenvolvimento cognitivo dos que nelas se fecham.

Com informações da Folha de S. Paulo



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